Mosqueiro, Ondas de Rio da Amazônia, Belém do Pará

A ilha de Mosqueiro, possui segundo dados do IBGE Censo 2010, cerca de 30 mil habitantes e corresponde a 44% do território belenense, possui 21 praias formadas pelo Rio Pará que proporcionam ondas de rio de água doce (fenômeno único no mundo) que chegam a 4m de altura, propiciando práticas esportivas como o surf, kitesurf, windsurf, dentre outros, além de contar com um arquipélago de outras pequenas ilhas onde está instalado o Parque Ambiental de Mosqueiro. Além disso, a ilha é dotada de infraestrutura hoteleira, bares e restaurantes e tem o turismo de segunda residência como principal ferramenta de engajamento turístico, chegando a receber cerca de 350 mil pessoas em períodos sazonais de acordo com informações da Agência Distrital de Mosqueiro.

VIVER SOL E PRAIA

HISTÓRIA

A história da ilha de Mosqueiro poderia ter sido outra se o navegador espanhol Vicente Iañes Pinzón, quando em janeiro de 1500 desembarcou em uma das praias de uma aprazível ilha ou se em fevereiro de 1542 o explorador espanhol Francisco Orellana tivesse resolvido aportar por aqui ao concluir a travessia do Rio Amazonas, ou se ainda, Francisco Caldeira Castelo Branco em dezembro de 1615, tivessem se estabelecido na região durante o período de descoberta e desbravamento da América do Sul.

A ilha já foi palco de batalhas durante a revolta dos Cabanos na primeira metade do século XIX, mas foi durante o período da belle époque belenense que Mosqueiro passou a figurar como usufruto de veranistas que adquiram propriedades e construíram os famosos chalés em estilo europeu. Essa relação se intensificou com a construção da Rodovia Belém-Mosqueiro e da Ponte Sebastião de Oliveira que possibilitou o acesso de milhares de pessoas.

A GEOGRAFIA

Mosqueiro é distrito administrativo de Belém (DAMOS) e apresenta uma área de 219 km², divididos em uma área urbana de 54 Km² e 165 km² de área rural. Outras 14 (quatorze) ilhas compõem o arquipélago mosqueirense: ilhas de São Pedro, Maracujá, Pombas, Papagaio, Canuari, Conceição, Maruim I, Maruim II e outras 04 (quatro) ilhas sem denominação. O distrito é dividido em 19 bairros: Maracajá, Vila, Mangueiras, Praia Grande, Aeroporto, Farol, Chapéu Virado, Natal do Murubira, Porto Arthur, Murubira, Ariramba, São Francisco, Bonfim, Carananduba, Marahu, Caruara, Paraíso, Sucurijuquara e Baía do Sol.

Arte: Luiz Henrique Almeida Gusmão (Geógrafo)

Mosqueiro é a maior das ilhas que compõem o município de Belém e corresponde a 44% do tamanho da cidade. Sua localização geográfica no estuário e delta amazônico, a privilegiou de forma magnífica. Esses fatores atrelados às fortes correntes de ar, propiciou a ocorrência de fenômenos únicos como a formação de ondas de rio de água doce. Mosqueiro é cortado por rios onde o Murubira, Pratiquara e Mari-Mari destacam-se pelo volume de água e pela importância junto às comunidades ribeirinhas.

Foto: mosqueirosustentavel.blogspot.com

ACESSO

O principal meio de acesso a Mosqueiro é pela Rodovia Estadual PA-391. O translado até à ilha pode ser feito de carro, ônibus rodoviários diretamente do Terminal Rodoviário, e de ônibus urbanos que partem diariamente do bairro de São Brás. As viagens de ônibus rodoviário levam quase 3h para chegar ao destino, o urbano em média 2h e de carro pouco mais de 1h.

Ponte Belém-Mosqueiro - Foto: Diário do Pará

URBANIZAÇÃO

A primeira ocupação portuguesa ocorreu na Baía do Sol, com a sesmarias (política de distribuição de um lote de terra a um beneficiário em nome do rei de Portugal, com o objetivo de cultivar terras virgens), no século XVIII muitas áreas foram requeridas para a instalação de sítios. Na época não era observado o desenvolvimento das atividades econômicas, a região fora habitada antes por índios tupinambás e jesuítas, posteriormente por escravos para as atividades nos sítios.

O ciclo da borracha trouxe grande desenvolvimento para Belém, ingleses, franceses, norte-americanos e alemães que viviam na cidade no século XIX, por conta de empresas multinacionais, foram, os primeiros a utilizar a ilha como local de veraneio e posteriormente a elite paraense. A urbanização de Mosqueiro se intensificou após a construção da Rodovia PA-391 e da ponte Sebastião Oliveira. Facilitando a instalação de ocupações desorganizadas provocando impactos na natureza.

POPULAÇÃO

De acordo com o Censo do IBGE de 2010, a população de Mosqueiro é de 31.394 moradores em dezenove bairros : Aeroporto (1.170 moradores); Ariramba (1.942 moradores); Baía do Sol (2.414 moradores); Bonfim (776 moradores); Carananduba (5.445 moradores); Caruara (794 moradores); Chapéu Virado (1.159 moradores); Farol (851 moradores); Mangueiras (2.851 moradores); Maracajá (3.345 moradores); Marahú (132 moradores); Murubira (1.519 moradores); Natal do Murubira (1.098 moradores); Paraíso (315 moradores); Porto Arthur (283 moradores); Praia Grande (748 moradores); São Francisco (2.438 moradores); Sucurijuquara (1.074 moradores) e Vila (3.040 moradores). Caso fosse emancipada, Mosqueiro estaria entre os municípios paraenses de médio porte

Durante os períodos sazonais como férias escolares, festas de fim de ano e carnaval, por exemplo, a população flutuante de Mosqueiro, de acordo com informações da Prefeitura de Belém, oscila de de 300 a 500 mil pessoas.Para acomodar esse inchaço populacional repentino e temporário, a ilha de Mosqueiro precisa contar com uma infraestrutura robusta que garanta a subsistência desse público.

INFRAESTRUTURA

Apesar da ilha de Mosqueiro possui uma infraestrutura comparada a de muitos municípios de médio porte; são 15 (quinze) escolas municipais; 6 (seis) escolas estaduais; 1 (um) hospital Municipal; 5 (cinco) Unidades Municipais de Saúde; 3 (três) unidades da COSANPA – Cia Estadual de Saneamento do Pará; 1 (um) Batalhão da Polícia Militar; 1 (um) unidade do Corpo de Bombeiros; 3 (três) mercados públicos; 1 (um) terminal rodoviário; inúmeras igrejas católicas e protestantes; hotéis; pousadas; restaurantes; bares; lanchonetes; farmácias; supermercados; postos de combustível; bancos; etc.

 

CULTURA

De acordo com o pesquisador Eduardo Brandão, as tradições culturais mosqueirenses estão ligadas às memórias introduzidas no século XX, desde quando passou a refugiar veranistas oriundos da capital paraense e a estabelecer hábitos ao cotidiano bucólico ligados às programações a beira mar em residências de famílias tradicionais de Belém, em estabelecimentos comerciais que viraram referência nessa época ou em eventos carnavalescos da sede do Pedreira Esporte Clube e do antigo Praia Bar e nas edificações erguidas ao longo desse tempo pelo poder público, como praças e mercados, além das igrejas católicas.

No final do século passado, além do desfrute praiano oferecido aos visitantes com ondas de água doce, a culinária mosqueirense ganhou espaço com pratos a base de pescado como o filhote e a pescada amarela, a tapioca, outra marca da culinária local, ganhou um espaço exclusivo para atendimento ao público.

A quadra junina e o carnaval enquadram os ritmos da época atraindo um público fiel a essas tradições folclóricas, manifestado por grupos organizados na região que realizam apresentações para o deleite dos espectadores em eventos organizados pelo poder público ou por promotores particulares. A cultura religiosa transcende por décadas em várias localidades do Distrito de Mosqueiro com homenagens a vários santos da igreja católica como Nossa Senhora do Ó, Nossa Senhora da Conceição, São Pedro e Santa Rosa de Lima, além do culto umbandista a Iemanjá, Rainha do Mar, no dia 8 de Dezembro.

Círio de Nª Sª do Ó, padroeira de Mosqueiro

A crendice popular também manifesta-se no imaginário mosqueirense, no causos contados pelos moradores antigos como a lenda do Boto, da Cobra Grande, do Padre sem Cabeça, da Mulher Encantada, da Matinta e do chupa-chupa, este último com relatos marcantes de várias pessoas da comunidade da Baía do Sol, uma vez que trata da presença de OVNI’s na região. Muitas dessas histórias registrada em livros de escritores locais que também se dedicam a produzir poesia. A ilha também abriga talentosos artistas plásticos que desenvolvem pinturas e artesanatos em madeira e outros materiais, porém, nesse quesito, as tradicionais varetinhas de Mosqueiro conhecidas como “varinhas da conquista” esculpidas a mão.